e

04/ 02 /2018

Escravidão

“A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou; ela povoou-o como se fosse uma religião natural e viva; com os seus mitos, suas legendas, seus encantamentos; insuflou-lhe sua alma infantil, suas tristezas sem pesar, suas lágrimas sem amargor, seu silêncio sem concentração, suas alegrais sem causa, sua felicidade sem dia seguinte… É ela o suspiro indefinível que exalam ao luar as nossas noites do Norte. Quanto a mim, absorvi-a no leito preto que me amamentou; ela envolveu-me como uma carícia muda toda a minha infância; aspirei-a da dedicação de velhos servidores que me reputava o herdeiro presuntivo do pequeno domínio de que faziam parte… Entre mim e eles deve ter-se dado uma troca contínua de simpatia, de que resultou a terna e reconhecida admiração que vim mais tarde a sentir pelo seu papel. Este pareceu-me, por contraste com o instinto mercenário da nossa época, sobrenatural a força de naturalidade humana, e, no dia em que a escravidão foi abolida, senti distintamente que um dos mais absolutos desinteresses de que o coração humano se tenha mostrado capaz não encontraria mais as condições que o tornaram possível. Nessa escravidão da infância não posso pensar sem um pesar involuntário… Tal qual o pressenti em torno de mim, ela conserva-se em minha recordação como um jugo suave, orgulho exterior do senhor, mas também orgulho íntimo do escravo, alguma coisa parecida com a dedicação do animal que nunca se altera, porque o fermento da desigualdade não pode penetrar nela. Também receio que essa espécie particular de escravidão tenha existido somente em propriedades muito antigas, administradas durante gerações seguidas com o mesmo espírito de humanidade, e onde uma longa hereditariedade de relações fixas entre o senhor e os escravos tivesse feito de um e outros uma espécie de tribo patriarcal isolada do mundo” (Joaquim Nabuco)

categoria: Citações Literárias e
23/ 02 /2017

Egoísmo

“Roubar ao alimento, aos sentidos, dilacerar o corpo, e atrofiar o espírito, olhando para o céu, é o cume do egoísmo, é o egoísmo que sobe às nuvens. Gozar todos os prazeres que a natureza e a sociedade nos oferecem, desprezando os sofrimentos do pobre e do aflito, comprometendo o futuro, é o egoísmo que desce ao embrutecimento” (Oliveira Martins)

categoria: Citações Literárias e
06/ 02 /2016

Estrelas

“– As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém… – que queres dizer? – Quando olhares o céu de noite, porque habitarei uma delas, porque numa delas estarei rindo, então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem rir” (A. de Saint-Exupéry, O pequeno príncipe).

categoria: Citações Literárias e
21/ 07 /2013

Espírito

“Num mundo marcado pela incerteza das coisas efêmeras, só o espírito se impõe, se virtualiza e perdura” ( Prado Kelly).

categoria: Citações Literárias e