Poemas Transcritos

04/ 02 /2018

Mistério do Tédio

Eu falsifico o passado (Que dia é hoje?)

Altero a verdade (O ontem me trouxe aqui?)

Ando distraído, movido em direção ao tédio.

A vida decepciona (Como era ontem?)

Des-ânimo= Destino

Marca oito horas. Marca dezoito horas.

Marco meu pulso. Marco meu ponto. Espero no ponto.

Agora estou livre? Depende…

O ponto me prende. Mas quando tenho liberdade continuo preso.

Apenas mais um boneco de gesso

Segundo a linha de produção.

Armadura do tédio esconde o que faz de mim eu mesmo.

Já sou o mesmo com e sem o monitoramento…

Quero revolução,

mas me acomodo.

Vivo no meu medo.

Na rotina, em cubos de ignorância.

Mas sei que ainda me juntarei à revolução.

Sairei do poder estagnação, dependência e estupidez.

Não ficarei mais quieto.

Quebrarei barreiras da repressão, quebrarei tudo…

Sei que não estou sozinho

Há outros de mim por aí.

Por isso, à noite tomo meu Gin a longos goles

Torcendo pelo futuro na mão dos proles.

(Paula Cristina)

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22/ 01 /2018

Confissões

Esperando pela morte

como um gato que vai pular na cama

lamento muitíssimo pela minha esposa.

Ela vai ver este corpo rijo e branco,

vai sacudi-lo uma vez,

então talvez de novo: “Hank!”

Hank não vai responder.

Não é a minha morte que me preocupa,

é a minha esposa deixada sozinha

com este monte de nada.

Eu quero que ela saiba

no entanto

que todas as noites

dormindo a seu lado

e mesmo as inúteis discussões

foram coisas totalmente esplêndidas

e as palavras duras que sempre temi dizer

podem agora ser ditas:

Eu te amo.

(Charles Bukowski)

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31/ 12 /2017

Sou poeta

Sou apenas uma poeta

que guarda seus sonhos

que sonha o tempo

que sonha o vento

que leve e solto

pode me carregar

como carrega meus sentimentos.

 

Sou apenas uma poeta

que senti o cheiro no amanhecer

que percebi no brilho do sol

a força que precisa para vencer.

 

Sou apenas uma poeta

enlaçada aos desejos da alma

que transbordam meu ser

quando a palavra me acalma

quando ela vem do infinito eu

que se apodera do que sou

que domina minha mente

e liberta as correntes

dos sentimentos guardados em mim.

 

Sou apenas uma poeta sem fim

sou dom ao abrir os olhos

sou magia na minha imaginação

sou minutos de silêncio

quando a voz me cala

e desperta meu coração.

 

Sou apenas uma poeta

quando sai de mim a emoção

sou simplesmente sim

às vezes um não

sou ego oculto

que busca forças

paras se encontrar.

 

Sou apenas uma poeta

ao sentir o poder das palavras que querem falar

sou livre em meu mundo

porque a liberdade está aonde podemos amar.

(Zanza)

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12/ 12 /2017

Índice (Manhã Portátil)

O homem é a matéria do meu canto,

qualquer que seja a cor do que ele sente.

E não importa o motivo do seu pranto,

é um homem, meu irmão, e estou doente

de sua dor, e é meu o seu espanto

do mundo e desta hora incongruente.

Na trincheira do Verbo me levanto

contra o que contra o homem se intente.

O homem é o objeto e o objetivo

de quanto sei cantar, e o canto é tudo

que pode me explicar porque estou vivo.

Às vezes sou ateu, noutras sou crente,

em outras sou rebelde, em algumas mudo:

- sou homem, e canto o homem no presente.

(Viriato Gaspar).

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03/ 11 /2017

Madrugada Camponesa

Madrugada camponesa,

faz escuro ainda no chão,

mas é preciso plantar,

a noite já foi mais noite,

a manhã já vai chegar.

Não vale mais a canção

feita de medo e arremedo

para enganar solidão.

Agora vale a verdade

cantada simples e sempre,

agora vale a alegria

que se constrói dia a dia

feito de canto e de pão.

Breve há de ser (sinto no ar)

tempo de trigo maduro.

Vai ser tempo de ceifar.

Já se levantam prodígios,

chuva azul no milharal,

estala em flor o feijão,

um leite novo minando

no meu longe seringal.

Madrugada da esperança,

já é quase tempo de amor.

Colho um sol que arde no chão,

lavro a luz dentro da cana,

minha alma no seu pendão.

Madrugada camponesa.

Faz escuro (já nem tanto),

vale a pena trabalhar.

Faz escuro mas eu canto

porque a manhã vai chegar.

(Thiago de Melllo)

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21/ 10 /2017

Amar não é brinco

Você trata Amor em brinco.

Amor o fará chorar.

Veja lá com quem se mete

que não é para zombar

Ai Amor, Amor, Amor!

Vocês zombam com Amor

e não é para zombar.

O Amor é muito sério,

mui sério se há de tratar,

Não mui sérios seus prazeres,

mui sério é seu pesar.

Aquele que vive livre

e vai com Amor brincar

vê nos pés, e vê nos pulsos

os seus ferros apertar.

O Amor promete prêmios,

os prêmios começa a dar,

mas tudo o que trouxe em risos,

quer em lágrimas cobrar.

Amor vem manso, mansinho,

no coração habitar,

e depois de estar de dentro

quer só ele regras dar.

Amor quando entra no peito

parece o vai consolar.

Mas travesso em pouco tempo,

faz a gente palpitar.

Com amor nada de pressa,

vamos muito devagar;

porque ele é criança

se correr há de cansar.

(Caldas Barbosa)

 

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12/ 10 /2017

Em que se conta o resto dos festejos (final)

Soberbo e louco Chefe, que proveito

tiraste de gastar em frias festas

imenso cabedal, que o bom Senado

devia consumir em cousas santas?

Suspiram pobres amas, e padecem

crianças inocentes, e tu podes

com rosto enxuto ver tamanhos males:

Embora! Sacrifica ao próprio gosto

as fortunas dos povos, que governas.

Virá dia, em que mão robusta, e santa,

depois de castigar-nos, se condoa

e lance na fogueira as varas torpes.

Então rirão aqueles, que choraram;

Então talvez, que chores; mas debalde:

Que suspiros, e prantos nada lucram

a quem os guarda para muito tarde.

(Tomás Antônio Gonzaga)

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30/ 09 /2017

Madrugada

A manhã se dá a todos,

a noite, para alguns poucos;

a raros afortunados,

a luz da madrugada.

(Emily Dickinson)

 

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08/ 09 /2017

Lavoura

Leva contigo

o não ser e o nascer

o coração e a coação

o perigo e o respingo

o triste e o riste

o respiro e o suspiro.

Leva contigo

o prazer da palavra

a luxúria da palavra

e a lavoura da palavra.

(Benilson Toniolo)

 

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22/ 08 /2017

A eternidade premeditada

Isto será a eternidade:

Um incessante subir de escadas.

E sempre estarás no começo da escadaria

Muito embora todos os dias sejam degraus

Deus, por que fizeste a Eternidade?

Por que nos obrigas a subir tantas escadas?

(Lêdo Ivo)

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