Poemas Tentados

02/ 05 /2021

Início e fim

Tudo começa

ou tudo termina

em algum impulso

em qualquer torpor

em algum silêncio

em qualquer silêncio

um parto um clamor

um extraordinário grito

um calmo pavor

tudo começa

ou tudo termina

em qualquer infinito

ou em algum palito

que se acende

ou que se apaga

essa é a saga

que cessa

ou germina

tudo começa

tudo termina.

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01/ 05 /2021

Antemanhãs

Oh dilemas tristes

de antemanhãs viscerais

ouço sinos da beatitude

ouço vozes da sensatez

para onde vou?

Se ao pular do eu

em vão deslizo na pista

com a carga pesada

sinaleiros obscurecidos

quero pintar meu interior

reflexivo em alto astral

porque sei que tudo

é solidão visceral.

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03/ 04 /2021

Candelabros

Aqui se movem um balanço e um candelabro,

um teto com um furo, uma alça quebrada,

uma língua que dissolve sagres e babas,

as sequelas da espécie, os dias murchados,

a cadeira pendente sobre um chão batido,

a parede rachada, os sabres e albergues,

a memória, a bateria de poeira na treva

e um calendário à meia luz dos meses

dispersos por anos vingados sem pressa.

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20/ 03 /2021

Garota Encantada (musicada)

Essa garota encantada,

lá no seu canto calada,

ela gosta de rosa,

mas não gosta de prosa,

muito menos de apego,

gosta de meditar em segredo,

ela é durona alada

e anda solta largada,

ela gosta de rosa,

mas não gosta de prosa,

muito menos de apego,

às vezes sorri quando eu chego,

disso eu gosto um bocado,

essa garota folgada,

que não gosta de apego,

às vezes sorri quando eu chego,

como a me dizer com doçura,

não pode colar, só soltura,

o desapego dela é retrátil,

garota sem frescura, fantástica,

ela gosta de rosa,

mas não gosta de prosa,

muito menos de apego,

se ela me olhar eu não nego,

que aumenta o meu ego,

só ela me chamar eu me achego,

só ela me triscar eu me entrego.

se ela me olhar eu não nego,

que aumenta o meu ego,

só ela me chamar eu me achego,

só ela me triscar eu me entrego.

 

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20/ 03 /2021

Pequeno Z

Ah porque te foste

meu amigo pequenino,

aonde vai minha esperança

que era grande,

entrementes fico surdo

inconformado

na cadência

de uma abelha que só zumbe

de um gato que rosna plangente

tu eras o meu franzino

forte potente

o meu gigante sol

nascente e poente

de alegria

de quase todo dia,

porque de repente

te foste assim

(de mim),

tão absurdo….

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28/ 02 /2021

Pandemia 2

Assassino invisível,

adentra sem ruído,

de imediato nem se nota,

mas replica aos bilhões,

em todo lugar se alastra,

Ásia, Europa, América, Alasca,

malsinada praga que prolifera,

atinge quem se aproxima

ou se aglomera,

aproveita-se do contato facial,

astuciosa sórdida fera,

infecta a vítima universal,

maltrata, penetra, contamina,

dizem que saiu do morcego

ou de alguma peçonha animal,

para alguns pode ser um óvni

trilhões de zumbis disfarçados

ou um incidente laboratorial,

assassino de amontoados,

escamoteia-se no espirro,

vai da boca ao organismo,

domina os pulmões

com o seu surto virulento

de bandido maldito,

que deve ser combatido

pela Ciência em movimento.

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27/ 02 /2021

Pandemia 1

Pensava que sabia das mazelas do mundo,

das pragas diluídas pelo histórico do mal,

vejo porém desgraças nos mapas diluentes,

que intromete a perversidade nos olhos,

poluidora dos ares para minha desilusão,

a ronda da morte sobre tanta gente,

aos poucos, asfixia, órgãos deficientes,

inocentes, penso não ser a questão,

se vou às ruas são, volto doente,

jornada malsã da atual civilização.

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01/ 11 /2020

Desvão (tão íngreme)

O tempo, desvão tão íngreme,

me pegou de calças curtas,

me atiçou com flores murchas,

me puniu por falso crime.

 

O tempo, de calças curtas,

me pegou com flores murchas,

me atiçou por falso crime,

me puniu, desvão tão íngreme.

 

O tempo, com flores murchas,

me pegou por falso crime,

me atiçou, desvão tão íngreme,

me puniu de calças curtas.

 

O tempo, por falso crime,

me pegou, desvão tão íngreme,

me atiçou de calças curtas,

me puniu com flores murchas.

 

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03/ 10 /2020

Jovens Partidas

Adeuses

que fazem parar,

que fazem pensar

que existe Deus

para justificar,

jovens partidas,

infortúnios,

acasos do azar,

culpas arrependidas,

dormências,

dolências,

plangências,

imagens revividas,

verdades imutáveis

das despedidas,

cinzas de emoções

entristecidas

pelas jovens partidas.

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03/ 10 /2020

Amanhã não vem

Tantas horas passam,

amanhã não vem.

A manhã morre na tarde

que prepara a noite assaltante,

amanhã tão longe;

brotos abrem-se em pétalas,

o cheiro impaciente da espera,

toco, nevoeiro, querências,

sede, drama e suspense,

vão e vêm ondas intensas,

barulhos, ócios granulares

do futuro escasso;

medos tremulares,

dúvidas diárias,

mãos nos maxilares,

esperas e desabafos,

futuro em falso,

porque amanhã não vem;

coisas velhas no armário,

cartas novas na janela,

compromissos de ontem,

sopa fria derradeira,

estrela guia condoreira,

amanhã não vem.

Quando o amanhã vier

não abrirá sorriso vasto,

passará abrupto e ligeiro,

como cavalos rumo abaixo.

 

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